quarta-feira, 29 de junho de 2016

O amor ao futebol sem fronteiras

A globalização das torcidas no futebol rompem barreiras geográficas, tornando possível o amor a qualquer clube ou seleção independente de distância ou pátria


Poderia em nosso país tão nacionalista e ligado as raízes do futebol, crescerem alguns torcedores alemães depois do 7x1? Ou até pior, argentinos? Sim! 
O amor aos clubes e seleções transcendem cada vez mais os impecílios físicos. Independente de poder comparecer ao estádio, conhecer os jogadores e a sua seleção de perto ou não, a ligação é muito mais de identificação do que de aproximação.

Para aprofundar o tema, buscamos alguns torcedores brasileiros um pouco diferentes. 
Conhecemos os motivos que levaram três rapazes a não cederem as seduções locais e acabaram por torcer para clubes e seleções pouco convencionais para suas localidades.

Mesmo sendo improvável, há a chance de alguém nascer em Porto Alegre e não tornar-se colorado ou gremista. Morar no Rio de Janeiro e não dar olhos a Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo. No mundo do futebol moderno, algumas coisas tem grande valor.



Foto disponibilizada pela fonte.
Renato Kubaszewski, 21 anos - Cachoeirinha
Estudante de jornalismo

Qual seu time e seleção? Torço para o Barcelona e Argentina.
O que influenciou principalmente nas escolhas?
A influência de torcer pelo Barcelona veio com o Ronaldinho Gaúcho em 2003, mas acabei me apegando pelo clube e virando torcedor de verdade, mesmo com a sua saída em 2008. Ja em relação a Argentina, sempre tive uma simpatia com a seleção por gostar do meia Veron, mas a torcida de verdade começou em 2007 por causa de Messi. 
O fato do time e da seleção que torce não ser do seu país e cidade, afeta em quanto na relação clube/torcedor? Não afeta em nada, basicamente a mesma coisa que torcer para a dupla grenal ou seleção brasileira. O único problema e diferença é que não posso ir nos jogos como poderia se fossem times daqui. 
Acha que o bairrismo na hora da "escolha" para o time no qual torcer, é importante até que ponto?  Não acho importante, cada um torce para quem gosta ou simpatiza mais. O problema do bairrismo é quando cega e o torcedor fica imparcial com a realidade. 
Em um mundo cada vez mais conectado, onde informações de qualquer país estão nas nossas mãos, seria uma tendência a globalização das torcidas? 
Tem grandes chances de que a torcida para clubes estrangeiros, principalmente da Europa, seja mais comum, é bem provável. Pois agora assistimos muitos jogos pelos canais de tv fechada e até mesmo pela internet. Facilita para que possamos acompanhar o futebol de fora e acabamos gostando e nos atraindo bastante.

 


Foto disponibilizada pela fonte.
Eduardo Sousa, 20 anos, Rio de Janeiro - RJ 
Aux. de Escritório / Estudante de Negócios Imobiliários 

Qual seu time e seleção? Liverpool / Argentina
Quais os principais fatores para a decisão? Identificação desde criança com ambas as equipes.
O fato do time e da seleção que torce não ser do seu país e cidade, afeta em quanto na relação clube/torcedor? Pouco afeta a relação, pois sempre estou ligado nas principais notícias. 
Até que ponto é importante o bairrismo na interferência da escolha do time para qual torcer? Aqui no Brasil, esse bairrismo é a principal escolha para torcer para uma equipe, mas na minha opinião você tem que escolher a que você mais se identifiquem independente do lugar que essa equipe seja. 
Em um mundo cada vez mais conectado, onde informações de qualquer país estão nas nossas mãos, seria uma tendência a globalização das torcidas? Uma coisa bem difícil de acontecer, acredito eu.


Fonte - top10mais.org



O gráfico mostra a proporção da torcida de clubes deste porte. Transpondo barreiras de cultura, gênero, costumes e principalmente de distâncias.


Embora seja de extrema importância o domínio local de um clube ou da seleção de seu país, para o apoio diário e o grito durante os jogos, não há nenhum demérito em torcer a distância e ter um time diferente da maioria. A identificação com uma entidade ou clube pode surgir de várias maneiras, seja por a influência da mídia, de parentes ou até pela genialidade de um só jogador. Não existe time certo ou errado para torcer. Apesar das raízes locais prevalecerem em grande maioria, há cada vez mais torcedores distintos no mundo todo.
O interesse na organização e eficácia alemã, ou na garra e persistência uruguaia e argentina, morando e nascendo no Brasil, é no mínimo mais interessante do que o padrão comum de admirar apenas o craque ou o camisa 10 de seu país.


A paixão pelo esporte ou por um ídolo, clube ou o que for, nem sempre é tangível ou explicável, em muitas situações, os torcedores e grandes fãs não tem um motivo específico ou único para ter escolhido aquela e não outra bandeira ou cor. O sentimento surge, não é uma grandeza comprável ou selecionável. Ela é potencializada por certos fatores, mas nunca definida.


Torce para algum clube ou seleção diferente da maioria das pessoas de onde mora? 
Conte pra gente nos comentários! 

 

  

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Afinal, quais são os problemas da Seleção Brasileira?

Os principais fatores que envolvem a decadência desenfreada do futebol brasileiro nos últimos anos


 Os rumores são muitos. Passam pela culpa do Dunga, a famosa Neydependência, safra de jogadores e os mais politizados citam também a CBF como eixo principal do problema. Com tantas possibilidades e opiniões adversas, acabamos por ter dificuldades em enxergar de fato o que acontece com a nossa seleção.




Contexto - Desde 2002, ano em que o Brasil conquistou sua última Copa do Mundo, já foram 6 eliminações em competições oficiais. Destas, 3 foram no maior torneio mundial, 2 em Copa América e 1 em Copa das Confederações. Após o desmanche ocorrido com a eliminação em 2006, onde a seleção era favoritíssima ao título da Copa, nunca mais encontramos um time definitivo. A amarelinha passou na mão de Carlos Alberto Parreira, Mano Menezes, Dunga, Felipão e novamente as mãos do ex-defensor colorado, que segue sem saber que rumo vai dar a nossa tão amada camisa.

Fazendo uma análise deliberada sobre os ocorridos com a seleção do Brasil nesses últimos anos, sem apegar-se a termos técnicos e científicos, podemos notar certos pontos como principais no assunto. Então vamos as vias de fato, o que está acontecendo com a seleção brasileira?


Técnico -


Um dos pontos mais gritantes. A necessidade de um técnico capacitado no cargo de treinador da seleção é imprescindível. Não só o potencial do profissional é importante, mas também a continuidade no trabalho. Infelizmente, não temos nem um, nem outro. As duas últimas vezes em que o Brasil teve um mesmo treinador no comando por 4 anos, que seria o mínimo para concretizar um processo, pois é o mesmo tempo de intervalo entre uma copa e outra, foi com Zagallo de 1994 - 1998 e Dunga, de 2006 até a eliminação em 2010. Dunga, por sua vez, teve um ótimo desempenho nesta sua passagem mais longa, apesar de ter sido eliminado da Copa do Mundo. Foram 42 vitórias e apenas 6 derrotas que não foram suficientes para o manterem no cargo.





Se cada eliminação em competição internacional que tivermos pela frente, demitirmos um treinador, só ganharemos algumas por brilho individual. Assim como qualquer organização, a seleção brasileira precisa de tempo para criar um método de jogo, variações táticas, encontrar um grupo definitivo, adequar-se aos costumes do técnico, obter entrosamento entre os jogadores e ganhar ritmo de jogo.

Agora, além da ideologia de continuidade estar prejudicada, a qualidade também está. Infelizmente, Dunga, apesar de seus números e a vivência na seleção desde seus 14 anos, não é um profissional capacitado para tal cargo. Com pouca experiência em clubes, títulos no currículo e fundamentos técnicos e táticos, o gaúcho natural de Ijuí não é o homem certo. Após o vexame do 7x1 para a Alemanha, marco histórico para o futebol brasileiro, a solução definitivamente não poderia ser uma ideia antiga e já testada, precisávamos de algo novo.

Nova safra de jogadores - 


Repare bem que ao citar este tópico, não me refiro que o problema seja os jogadores. Mas sim que, uma das barreiras enfrentadas pela seleção, é a fase transitória de uma geração para a outra. Claro que não necessariamente isso seja um impecilio, mas para o Brasil vem sendo. Como citado acima, desde a "mudança" de 2006 de Ricardo Teixeira, o povo já não sabe mais de  cor os 11 nomes que formam o time titular do Brasil. Foram muitas trocas, em todos os setores, mais de cem jogos de teste e ainda temos pouco definido. Além de Neymar, quem é titular absoluto e insubstituível na Seleção? Antes, no mínimo tínhamos sempre de 6 a 8 nomes.

A transição é natural. Acontece com todas as seleções no planeta. Craques vem, assim como vão. Mas a camisa deve continuar. O ponto é que, para dar potência a essa evolução de jogadores jovens e o processo de substituição dos experientes, retornamos novamente a continuidade em um processo de trabalho. Se os parâmetros, instruções, formas, táticas e conceitos mudam a cada 1 - 3 anos, como manter uma ideologia concreta de futebol na mente dos garotos?

Há quem ache que esta é uma geração fracassada. Raso demais avaliar um processo tão complexo apenas pelos jogadores envolvidos em cada partida, que convenhamos, mudam a cada novo desafio. Em cada uma das posições, temos grandes jogadores, disciplinados taticamente por trabalharem na Europa e jogarem em gigantes do futebol mundial. Não só no exterior, mas dentro do país também há ótimos profissionais em formação. O problema não são as peças, mas como utiliza-las. 



CBF - 

 



Com todos os escândalos envolvendo a entidade máxima de futebol no Brasil, bons resultados dentro de campo não era o mais indicado a se esperar. De desvios de verbas à convocações comerciais com o intuito de popularizar o jogador para uma futura negociação, envolvendo agentes relacionados a alta cúpula da CBF, as sujeiras foram aparecendo. Os três últimos presidentes da entidade são diretamente relacionados a investigações e já receberam até mandato de prisão. Atualmente no cargo, Del Nero segue com problemas na justiça e seu vice é o Coronel Nunes, ambos sem capacitações relacionadas a gestão do futebol.

Como em qualquer empresa, a organização tem de vir de cima para baixo. Dos administradores para os funcionários operacionais, que interagem diretamente com o produto final. Assim deveria funcionar para a CBF, se de fato pudéssemos a intitular de "organização", pois o que ocorre lá é justamente o contrário deste conceito. Com a sua administração conturbada, seja no âmbito de seleção, clubes, estaduais e todo o contexto que envolve o esporte no país, dificilmente os bons exemplos chegarão aos jogadores, que são o último membro neste processo, trabalhando diretamente com o produto final, o futebol.

Apesar do futebol verdadeiro ser jogado dentro das 4 linhas e durante 90 minutos, certas decisões administrativas fazem diferença no andar da carruagem. Com a organização defasada, refletem falhas em diversos setores, desde o processo de categorias de base, até as convocações para a seleção principal.



Datas FIFA -

Este já é um velho conhecido nosso e e de muitos outros países. Diversas seleções sofrem com calendários apertados e pouquíssimo tempo para treinar. Especialmente a brasileira, sendo as nossas datas, umas das menos organizadas em todo o mundo. A reunião dos grupos convocados geralmente ocorre um ou dois dias antes de algum amistoso, e para as competições internacionais, não passam de quinze dias.

Como se já não bastasse as variações táticas vividas pelos jogadores em suas funções nos clubes e na seleção, na metodologia de seus treinadores, ainda temos um tempo quase que nulo para a composição de um trabalho em um grupo. Há profissionais lesionados, suspensos, em má fase, outros novos em ótima e você precisa construir um grupo sólido. São diversos fatores complicantes na montagem de uma equipe, todos resolvidos com o tempo.
 

OFF - Será mesmo que com estes mesmos problemas de calendário e continuidade, a entrada de Tite, Simeone, Guardiola ou Sampaolli, resolveriam os problemas da Seleção?


 Cultura Nacional e Imprensa -

  
Você, eu e provavelmente até os seus pais também são culpados pelos fracassos da seleção.



 Isso mesmo. Nós e principalmente a imprensa, tem parcela de culpa nesse contexto. Todo esse ego, nacionalismo e "orgulho" da seleção brasileira não é saudável para o estado mental dos jogadores e comissão técnica. 

Claro que sabemos que isso tudo foi construído através de muitas conquistas e títulos da camisa canarinho. Fomos acostumados a ganhar, a sermos os maiores e mais imponentes em todo o futebol mundial. Infelizmente, hoje não é mais assim. E esse pensamento vem sim causando problemas na criação de novos bons resultados. A cobrança, crítica e impaciência é demasiada. Em um jogo temos um herói, no outro, o vilão. A humildade e o ideal de ser realista com a situação atual, ajudariam na percepção de novos problemas e na construção de soluções.

Não somos melhores que toda a América Latina e muito menos do mundo. Para sermos, temos que mostrar isso dentro de campo, com vitórias e títulos. Não temos algo de diferente, especial dentre os outros. O "pentacampeonato", cinco titulos de Copa do Mundo, nos trazem história e tradição, nada mais. Chega de nos segurarmos em estandartes sociais, imposições e pré conceitos da nossa seleção e nosso futebol. Temos de trabalhar com fatos, com o que é a realidade, o que vivemos hoje. A mudança começa na cabeça de cada um. Esperamos que chegue até a deles.



Viu algo errado? Tem a acrescentar ou sugerir? Comente abaixo!