Os principais fatores que envolvem a decadência desenfreada do futebol brasileiro nos últimos anos
Os rumores são muitos. Passam pela culpa do Dunga, a famosa Neydependência, safra de jogadores e os mais politizados citam também a CBF como eixo principal do problema. Com tantas possibilidades e opiniões adversas, acabamos por ter dificuldades em enxergar de fato o que acontece com a nossa seleção.
Contexto - Desde 2002, ano em que o Brasil conquistou sua última Copa do Mundo, já foram 6 eliminações em competições oficiais. Destas, 3 foram no maior torneio mundial, 2 em Copa América e 1 em Copa das Confederações. Após o desmanche ocorrido com a eliminação em 2006, onde a seleção era favoritíssima ao título da Copa, nunca mais encontramos um time definitivo. A amarelinha passou na mão de Carlos Alberto Parreira, Mano Menezes, Dunga, Felipão e novamente as mãos do ex-defensor colorado, que segue sem saber que rumo vai dar a nossa tão amada camisa.
Fazendo uma análise deliberada sobre os ocorridos com a seleção do Brasil nesses últimos anos, sem apegar-se a termos técnicos e científicos, podemos notar certos pontos como principais no assunto. Então vamos as vias de fato, o que está acontecendo com a seleção brasileira?
Técnico -
Um dos pontos mais gritantes. A necessidade de um técnico capacitado no cargo de treinador da seleção é imprescindível. Não só o potencial do profissional é importante, mas também a continuidade no trabalho. Infelizmente, não temos nem um, nem outro. As duas últimas vezes em que o Brasil teve um mesmo treinador no comando por 4 anos, que seria o mínimo para concretizar um processo, pois é o mesmo tempo de intervalo entre uma copa e outra, foi com Zagallo de 1994 - 1998 e Dunga, de 2006 até a eliminação em 2010. Dunga, por sua vez, teve um ótimo desempenho nesta sua passagem mais longa, apesar de ter sido eliminado da Copa do Mundo. Foram 42 vitórias e apenas 6 derrotas que não foram suficientes para o manterem no cargo.
Se cada eliminação em competição internacional que tivermos pela frente, demitirmos um treinador, só ganharemos algumas por brilho individual. Assim como qualquer organização, a seleção brasileira precisa de tempo para criar um método de jogo, variações táticas, encontrar um grupo definitivo, adequar-se aos costumes do técnico, obter entrosamento entre os jogadores e ganhar ritmo de jogo.
Agora, além da ideologia de continuidade estar prejudicada, a qualidade também está. Infelizmente, Dunga, apesar de seus números e a vivência na seleção desde seus 14 anos, não é um profissional capacitado para tal cargo. Com pouca experiência em clubes, títulos no currículo e fundamentos técnicos e táticos, o gaúcho natural de Ijuí não é o homem certo. Após o vexame do 7x1 para a Alemanha, marco histórico para o futebol brasileiro, a solução definitivamente não poderia ser uma ideia antiga e já testada, precisávamos de algo novo.
Nova safra de jogadores -
Repare bem que ao citar este tópico, não me refiro que o problema seja os jogadores. Mas sim que, uma das barreiras enfrentadas pela seleção, é a fase transitória de uma geração para a outra. Claro que não necessariamente isso seja um impecilio, mas para o Brasil vem sendo. Como citado acima, desde a "mudança" de 2006 de Ricardo Teixeira, o povo já não sabe mais de cor os 11 nomes que formam o time titular do Brasil. Foram muitas trocas, em todos os setores, mais de cem jogos de teste e ainda temos pouco definido. Além de Neymar, quem é titular absoluto e insubstituível na Seleção? Antes, no mínimo tínhamos sempre de 6 a 8 nomes.
A transição é natural. Acontece com todas as seleções no planeta. Craques vem, assim como vão. Mas a camisa deve continuar. O ponto é que, para dar potência a essa evolução de jogadores jovens e o processo de substituição dos experientes, retornamos novamente a continuidade em um processo de trabalho. Se os parâmetros, instruções, formas, táticas e conceitos mudam a cada 1 - 3 anos, como manter uma ideologia concreta de futebol na mente dos garotos?
Há quem ache que esta é uma geração fracassada. Raso demais avaliar um processo tão complexo apenas pelos jogadores envolvidos em cada partida, que convenhamos, mudam a cada novo desafio. Em cada uma das posições, temos grandes jogadores, disciplinados taticamente por trabalharem na Europa e jogarem em gigantes do futebol mundial. Não só no exterior, mas dentro do país também há ótimos profissionais em formação. O problema não são as peças, mas como utiliza-las.
CBF -
Com todos os escândalos envolvendo a entidade máxima de futebol no Brasil, bons resultados dentro de campo não era o mais indicado a se esperar. De desvios de verbas à convocações comerciais com o intuito de popularizar o jogador para uma futura negociação, envolvendo agentes relacionados a alta cúpula da CBF, as sujeiras foram aparecendo. Os três últimos presidentes da entidade são diretamente relacionados a investigações e já receberam até mandato de prisão. Atualmente no cargo, Del Nero segue com problemas na justiça e seu vice é o Coronel Nunes, ambos sem capacitações relacionadas a gestão do futebol.
Como em qualquer empresa, a organização tem de vir de cima para baixo. Dos administradores para os funcionários operacionais, que interagem diretamente com o produto final. Assim deveria funcionar para a CBF, se de fato pudéssemos a intitular de "organização", pois o que ocorre lá é justamente o contrário deste conceito. Com a sua administração conturbada, seja no âmbito de seleção, clubes, estaduais e todo o contexto que envolve o esporte no país, dificilmente os bons exemplos chegarão aos jogadores, que são o último membro neste processo, trabalhando diretamente com o produto final, o futebol.
Apesar do futebol verdadeiro ser jogado dentro das 4 linhas e durante 90 minutos, certas decisões administrativas fazem diferença no andar da carruagem. Com a organização defasada, refletem falhas em diversos setores, desde o processo de categorias de base, até as convocações para a seleção principal.
Datas FIFA -
Este já é um velho conhecido nosso e e de muitos outros países. Diversas seleções sofrem com calendários apertados e pouquíssimo tempo para treinar. Especialmente a brasileira, sendo as nossas datas, umas das menos organizadas em todo o mundo. A reunião dos grupos convocados geralmente ocorre um ou dois dias antes de algum amistoso, e para as competições internacionais, não passam de quinze dias.Como se já não bastasse as variações táticas vividas pelos jogadores em suas funções nos clubes e na seleção, na metodologia de seus treinadores, ainda temos um tempo quase que nulo para a composição de um trabalho em um grupo. Há profissionais lesionados, suspensos, em má fase, outros novos em ótima e você precisa construir um grupo sólido. São diversos fatores complicantes na montagem de uma equipe, todos resolvidos com o tempo.
OFF - Será mesmo que com estes mesmos problemas de calendário e continuidade, a entrada de Tite, Simeone, Guardiola ou Sampaolli, resolveriam os problemas da Seleção?
Cultura Nacional e Imprensa -
Você, eu e provavelmente até os seus pais também são culpados pelos fracassos da seleção.
Isso mesmo. Nós e principalmente a imprensa, tem parcela de culpa nesse contexto. Todo esse ego, nacionalismo e "orgulho" da seleção brasileira não é saudável para o estado mental dos jogadores e comissão técnica.
Claro que sabemos que isso tudo foi construído através de muitas conquistas e títulos da camisa canarinho. Fomos acostumados a ganhar, a sermos os maiores e mais imponentes em todo o futebol mundial. Infelizmente, hoje não é mais assim. E esse pensamento vem sim causando problemas na criação de novos bons resultados. A cobrança, crítica e impaciência é demasiada. Em um jogo temos um herói, no outro, o vilão. A humildade e o ideal de ser realista com a situação atual, ajudariam na percepção de novos problemas e na construção de soluções.
Não somos melhores que toda a América Latina e muito menos do mundo. Para sermos, temos que mostrar isso dentro de campo, com vitórias e títulos. Não temos algo de diferente, especial dentre os outros. O "pentacampeonato", cinco titulos de Copa do Mundo, nos trazem história e tradição, nada mais. Chega de nos segurarmos em estandartes sociais, imposições e pré conceitos da nossa seleção e nosso futebol. Temos de trabalhar com fatos, com o que é a realidade, o que vivemos hoje. A mudança começa na cabeça de cada um. Esperamos que chegue até a deles.
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